Concurso Público Nacional de Projetos de Arquitetura e Complementares para a Sede IAB/DF + CAU/BR


Inscrição Nº 110


Prezados Senhores; Primeiramente, cumprimento a equipe coordenadora do concurso pela alta qualidade do trabalho apresentado, em todas as suas fases. Sou um arquiteto às antigas, formado em 1968 e sempre gostei da minha profissão. Até hoje tenho necessidade de estar em contato com esses trabalhos, que além de me trazerem alguns laivos de esperança, me ajudam efetivamente a exercitar o cérebro, retardando a chegada do “alemão” Assim, sempre que possível participo de concursos de Arquitetura e o ultimo foi a proposta para as sedes do IAB/DF e CAU/BR, no qual me envolvi com muita intensidade. O meu objetivo na participação de concursos, como já disse, é o contato com um desafio, e o compromisso da realização pessoal desse objetivo, independente do resultado. As minhas participações sempre são mediadas por um desejo de inovação dentro dos limites pretensamente sugeridos nos editais e evidentemente de acordo com as organizações supostamente necessárias para a realização dos projetos. Sou uma ave solitária. Não tenho equipes. Trabalho isolado e meus contatos são com as obras dos arquitetos de reconhecida qualidade. E curiosamente, quase todos esses profissionais tiveram a Arquitetura como uma decorrência em suas vidas profissionais; vários deles iniciaram as carreiras na engenharia, sistemas metálicos, carpintarias, ou outras profissões correlatas, onde a Arquitetura foi gerada pelos conhecimentos periféricos, ou conforme outra visão, os sistemas periféricos geraram a Arquitetura. Então, as propostas estruturais, de organização dos espaços e da volumetria final estarão dentro de limites da realidade local e não conforme as obras fantásticas executadas em Dubai, com todo respeito, que mais parece uma Disneylândia da Arquitetura. Além de Arquiteto, tenho pós-graduação em estruturas metálicas, sustentabilidade e outros interesses complementares à Arquitetura. Tenho experiência em obras pequenas, médias e grandes, como residências, edifícios de apartamentos e centros de convenções, o que sugere um conhecimento de processos construtivos. Sou prisioneiro de algumas condicionantes que me orientam na elaboração dos projetos: fundações, estrutura, setorizações, distribuição de circulações verticais, horizontais, manutenção, vida do objeto, consumo de energia elétrica, controle de consumo e finalmente a apresentação do produto. Mas o fato que me intriga nos concursos, na verdade, é a “sistemologia interpretativa “ na eliminação das propostas. No caso em questão, foram 218 trabalhos apresentados e claro, para analises mais profundas dos projetos, o tempo necessário seria de no mínimo 6 meses para uma decisão em conjunto. Realmente, não é por aí, mas o sistema de uma olhada superficial em 218 desenhos eliminando imediatamente aqueles que agradam menos que os outros e assim em suas diversas fases, no nosso caso 5 fases, deixa de mostrar um outro lado importante nas propostas, e não apenas a dos visuais bacanas. E os visuais bacanas são geralmente compostos de fragilidades, que ao longo do tempo se deteriorarão ou terão manutenção exagerada. O modo de apresentação vale mais que o conteúdo? Por favor, entendam isso como uma critica construtiva e não como o desabafo de um perdedor, mesmo porque estou junto de outros perdedores de altíssima qualidade profissional. Mais uma vez agradeço a oportunidade dessa experiência fantástica e parabenizo aos lideres do IAB/DF e CAU/BR, e por favor, entendam que esse relato é apenas a possibilidade da adição de mais um componente na avaliação das propostas dos Concursos de Arquitetura Com respeito, Marco Antonio de Pádua CAU/MG A0599-1